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UM DIA A MENINA OLHOU O ÁLBUM DE RETRATOS
Pela fresta do céu Desceu um pensamento nos olhos da menina Que folheava o álbum dos antepassados. Suas mãos pararam a página com o retrato do homem de croisé Que não era seu pai nem seu avô. Era o irmão de leite de seu tio Que havia se suicidado por amor. As pupilas da menina passearam na boca do retrato, desgrenharam o penteado, Passaram na curva da orelha e por baixo do plastron Ela sentiu o perfume guardado há tanto tempo. Puxou com os olhos o álbum bem para dentro do seu corpo. Os seios gritaram em diâmetro, se turgindo, E ela esfregou, com um movimento de cabeça, As pontas pesadas da cabeleira em sua nuca. A menina casou com um homem fora do álbum Mas seu primeiro filho era igual ao retrato Do irmão de leite de seu tio Que havia se suicidado por amor, E que seus sentidos ressuscitaram e guardaram Para imprimir formas desconhecidas nos presentes E amar a memória dos ausentes
(Brasil,1905-1980)
envio amelia pais
Pela fresta do céu Desceu um pensamento nos olhos da menina Que folheava o álbum dos antepassados. Suas mãos pararam a página com o retrato do homem de croisé Que não era seu pai nem seu avô. Era o irmão de leite de seu tio Que havia se suicidado por amor. As pupilas da menina passearam na boca do retrato, desgrenharam o penteado, Passaram na curva da orelha e por baixo do plastron Ela sentiu o perfume guardado há tanto tempo. Puxou com os olhos o álbum bem para dentro do seu corpo. Os seios gritaram em diâmetro, se turgindo, E ela esfregou, com um movimento de cabeça, As pontas pesadas da cabeleira em sua nuca. A menina casou com um homem fora do álbum Mas seu primeiro filho era igual ao retrato Do irmão de leite de seu tio Que havia se suicidado por amor, E que seus sentidos ressuscitaram e guardaram Para imprimir formas desconhecidas nos presentes E amar a memória dos ausentes
(Brasil,1905-1980)
envio amelia pais
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